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O modelo de cultura Competing Values Framework

Conheça um modelo diferente de avaliação de cultura e suas categorizações

Atualizado em
Por Livia Barreto Silva

Nós já falamos aqui dos benefícios de se ter uma cultura organizacional bem definida e estruturada. A cultura é um importante guia para a área de RH, sendo norteador para taxas de turnover (rotatividade), satisfação dos colaboradores, motivação no cotidiano de trabalho, etc. Portanto, pode impactar, inclusive, na satisfação do cliente.

Já mostramos aqui a pesquisa de Harvard e as principais culturas geradas a partir dos resultados. Neste post, vamos falar de um novo modelo de mapeamento de cultura desenvolvido por Robert E. Quinn, professor na Universidade de Michigan, chamado de Competing Values Framework (CVF).

Assim como o modelo de Harvard, o modelo CVF se divide em quatro quadrantes e dois eixos.

O eixo vertical

Os dois quadrantes superiores indicam culturas com maior flexibilidade e liberdade, desse modo, permitindo maior espontaneidade dos colaboradores. São empresas que tendem a ter uma estrutura hierárquica mais horizontal e descentralizada, por isso, os processos são menos definidos e ambientes mais variáveis. Os colaboradores têm maior liberdade criativa, não precisando acessar um superior para aprovar ideias e colocá-las em prática.

Já os dois quadrantes inferiores agrupam as culturas mais estáveis, que priorizam a ordem e controle. A estrutura é hierárquica e mais verticalizada, e por isso, as decisões são maiscentralizadas. As empresas posicionadas nesses quadrantes costumam trabalhar com processos mais definidos porque valorizam a tradição e a estabilidade. Os colaboradores precisam de aprovação antes de executar suas ideias, seguindo uma burocracia mais clara e, as vezes, demorada.

O eixo horizontal

O eixo horizontal traz a sinalização de se o trabalho é mais orientado para a manutenção e melhoria da organização ou se o foco é na adaptação e interação com o ambiente externo.

Os quadrantes do lado esquerdo apresentam maior foco interno e integrativo. Ou seja, as pessoas do time estão em maior evidência, valorizando o bem-estar dos colaboradores e da organização. Empresas com este foco investem no capital humano e se preocupam em alinhar os stakeholders.

Os quadrantes do lado direito apresentam maior foco externo e diferenciação. Portanto, seu foco maior é no cliente e em suas necessidades. Há valorização dos processos e busca constante em melhorá-los, almejando assim, aumento da produtividade ou redução de custos.

As culturas

A junção desses 4 quadrantes forma as 4 culturas organizacionais do CVF, chamadas de Clã, Adocracia, Hierarquia e Mercado.

Fonte: Mindsight
Cultura de Clã

A cultura de Clã é uma cultura orientada à colaboração. Se localiza no quadrante superior esquerdo, e por isso, tem maior foco interno e flexibilidade.

Como o próprio nome indica, esta cultura se comporta como uma grande família. Nesse caso, os líderes são vistos como mentores e facilitadores. A estrutura organizacional é mais colaborativa e informal. O ambiente é descontraído e pouco hierarquizado. Consequentemente, os resultados desta cultura se dão a partir do investimento nas pessoas.

Cultura Adocrática

A cultura Adocrática é dinâmica e empreendedora, permite arriscar e inovar, sendo pioneira em suas práticas. Está localizada no quadrante superior direito. Por isso, é caracterizada pelo foco externo e por sua flexibilidade.

Esta cultura tem alta capacidade de adaptação e reorganização frente a novas demandas, utilizando de sua criatividade para enfrentar problemas de mercado. Como o foco é externo, ou seja, no mercado, esta cultura acredita que seus resultados são provenientes do seu investimento em inovação e pioneirismo.

Cultura Hierárquica

A cultura Hierárquica é estruturada e controlada, preza pela sua eficácia e estabilidade. Seu foco é interno e estável, estando localizada no quadrante inferior esquerdo.

O ambiente desta cultura é mais formal e estruturado. Ou seja, as hierarquias são mais definidas, seguindo uma burocracia clara entre todos os colaboradores, que devem ter clarezas do código de regras da empresa.

Empresas com esta cultura acreditam que o sucesso de seus resultados advém da padronização e repetição de seus processos, permitindo, assim, uma redução de custos.

Cultura de Mercado

A cultura de Mercado é orientada a resultados, sendo altamente competitiva e volátil. Seu foco é externo e estável, estando localizada no quadrante inferior direito.

Os processos de trabalho são voltados aos resultados, a liderança é voltada para atingir metas e garantir o lucro da organização. O sucesso dessa cultura é proveniente do mercado e por sua preocupação em garantir a melhor qualidade no serviço prestando, assim, se cria uma vantagem competitiva.

Modelo de Harvard e CVF

Mas, afinal, qual é a diferença entre os modelos de Harvard e de Michigan? Ambos se propõem a mapear a cultura de uma empresa, cada um com sua metodologia própria.

O modelo de Harvard engloba oito tipo de culturas, sendo elas:

  • Autonomia;
  • Acolhimento;
  • Aprendizado;
  • Ideal;
  • Ordem;
  • Segurança;
  • Metas;
  • Autoridade.

Entre os dois modelos, podemos associar algumas culturas como semelhantes ou até mesmo equivalentes por conterem características e focos no mesmo objetivo.

Por exemplo, a cultura Clã (CVF) se assemelha muito à cultura de Acolhimento (Harvard) por prezarem pela linearidade entre os colaboradores, além de adotarem uma postura mais acolhedora de mentoria e colaboração.

Já a cultura Adocrática (CVF) se assemelha muito à cultura de Autonomia (Harvard). Ambas prezam pela flexibilidade de atuação e permitem correr riscos para que possam atingir a inovação. São culturas que focam no bem estar da equipe.

As culturas de Mercado (CVF) e Metas (Harvard) prezam muito pelos frutos que são provenientes do trabalho. São culturas menos flexíveis e com maior foco na produtividade e competitividade.

As culturas de Hierarquia (CVF) e Autoridade (Harvard) também são semelhantes por sua menor flexibilização e valorização dos padrões de trabalho. Desse modo, as empresas que as adotam são bem estruturadas e seus líderes ocupam um lugar de dominância.

Para as demais culturas do modelo de Harvard (Aprendizado, Ideal, Ordem e Segurança), podemos considerar que se encaixam como subelementos ou características secundárias das culturas do modelo CVF.

O modelo Innovation Competing Values Framework

Apesar do modelo tradicional de Competing Values Framework ter boa aceitação no mercado organizacional, ele não foi feito pensando em empresas de tecnologia e inovação. Por isso, foi criado o modelo Innovation Competing Values Framework (ICVF), explicitado no livro de Philipp Herzog.

O autor estabeleceu orientadores da cultura, que podem ser orientado à:

  • mercado;
  • tecnologia;
  • espírito empreendedor;
  • aprendizado.

A partir desse modelo, as empresas de Tecnologia e Inovação puderam se orientar melhor e se encaixar nos padrões de cada cultura.

Você consegue identificar qual a cultura da sua empresa? Entre em contato com a gente e tire suas dúvidas!

REFERÊNCIAS:

Cameron, Kim S. Diagnosing and Changing Organizational Culture: Based on the Competing Values Framework / Kim S. Cameron, Robert E. Quinn. — Terceira edição.

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