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Qual a melhor abordagem psicológica para fazer terapia?

Aprenda e escolher qual a melhor abordagem para começar sua terapia e como encontrar um psicólogo!

Atualizado em
Por Livia Barreto Silva

Para começar, é importante esclarecer o que é terapia e psicoterapia.

Apesar de comumente chamarmos o acompanhamento psicológico de terapia, conceitualmente terapia é tudo aquilo que é terapêutico. Ou seja, a terapia pode ser praticar atividades físicas, fazer acupuntura ou até mesmo beber um café! Isso porque todas essas coisas podem ter efeitos terapêuticos, ou seja, promovem alguma melhoria ou sensação de bem-estar.

A psicoterapia também tem efeito terapêutico, mas, em tese, segue protocolos e embasamento da Psicologia, por isso só podem ser desempenhadas por profissionais formados em Psicologia. Mas por que em tese? Porque existem outros tipos de psicoterapia desempenhados por outros profissionais, chamados de terapias alternativas (reike, acupuntura, etc). Mas isso é assunto pra outro post…

Na psicologia clínica existem diferentes abordagens teóricas que o profissional pode escolher seguir, e a variedade de abordagens pode gerar uma certa dúvida na hora de escolher um profissional. Mas não se preocupe, nós vamos te ajudar a escolher a melhor abordagem psicológica para o seu caso.

pessoa na terapia

Quais as abordagens mais conhecidas para fazer terapia?

Psicanálise

A Psicanálise é uma abordagem muito conhecida no Brasil. Foi desenvolvida pro Freud, um teórico muuuito importante para a psicologia, ele foi responsável por revolucionar a área da saúde propondo foco em processos mentais numa época a ciência dava zero reconhecimento à isso.

Algumas frases referentes à ele ficaram famosas, como “Freud explica!”. E a frase não é a toa! Um dos principais conceitos trazidos por Freud é a ideia de inconsciente. Segundo ele, algumas emoções e comportamentos ocorrem por causas desconhecidas, porque estão inconscientes! Nesse caso, a terapia psicanalítica propõe conhecer melhor aquilo que não atingiu a sua consciência, e dessa forma diminuir o sofrimento causado por isso.

A principal técnica utiliza é a “associação livre”, ou seja, o paciente é estimulado a falar sobre qualquer tema, sem muitas interferências do psicólogo.

Você pode encontrar psicanalistas que não são formados em psicologia, e eles não estão ilegais. Isso significa que este profissional fez um curso livre de psicanálise, e pode atuar como psicanalista aplicando as técnicas dessa abordagem, sua profissão é terapeuta. Nesse caso, não há um conselho profissional o qual rege esta categoria pois “terapeuta” não é uma profissão regulamentada por nenhum órgão no Brasil.

Psicoterapia Analítica – Junguiana

A terapia analítica é a abordagem psicológica baseada na filosofia e nas ideias do psiquiatra e teórico Jung. Assim como a psicanálise, esta abordagem também se dedica a trazer para a consciência aquilo que está no inconsciente. Jung foi um dos colaboradores de Freud, mas em determinado momento algumas divergências teóricas apareceram (boatos que não eram só teóricas, rs).

Uma das contribuições de Jung é o conceito de “arquétipo”. Arquétipos são construções-modelo, referentes à algo, formam o conhecimento universal sobre um determinado fenômeno, por exemplo o que é ser mãe/pai. Esses arquétipos interferem na personalidade e consequentemente no comportamento e emoções.

Gestalt-Terapia

Gestalt-terapia, também chamada de Abordagem Gestáltica, tem como referência principal Perls. Enfatiza autoconhecimento, satisfação, autossuporte e crescimento pessoal, vendo o homem como capaz de se autogerir, de se autorregular.

Para a Gestalt, é importante que o sujeito se posicione como um ser de escolha, tendo consciência de si mesmo e, a partir disso, construir suas próprias escolhas, se tornar responsável e ser autor de si mesmo.

Um dos mais famosos conceitos da gestalt é a noção de awareness, também conhecido como “consciência”. O objetivo da gestalt é ampliar esta consciência para estar pleno no mundo, perceber as próprias necessidades, o contexto e fazer suas próprias escolhas.

Análise do Comportamento (AC) – Behaviorismo

A AC se destaca por ser muito mais diretiva do que as abordagens anteriores, nesse caso não existe a tentativa de acessar o inconsciente. O foco é no comportamento que pode ser observado. Um dos seus principais objetivos é modificar padrões de comportamento do paciente.

Um dos principais teóricos dessa abordagem é Skinner. Ele foi responsável por fazer experimentos em animais para tentar compreender o comportamento humano. O profissional é mais atuante nessa abordagem, participando e interagindo mais durante a sessão. Nesse caso, o psicólogo fará intervenções diretas e vai propor protocolos ou técnicas específicas durante a sessão.

Esta abordagem é muito utilizada para desenvolvimento de habilidades sociais, tratamento transtornos mentais como depressão e ansiedade, é padrão ouro para o tratamento do autismo.

Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)

A TCC é um desdobramento da AC. Foi desenvolvida por Beck, que traz como contribuição ao entendimento do comportamento humano a interação entre pensamentos, emoções e comportamentos.

A TCC foca em reestruturar pensamentos e modificar comportamentos considerados disfuncionais. A teoria acredita que os pensamentos influenciam o que você sente e pensa, o que, por sua vez, gera um impacto no comportamento. Por isso, é importante modificar alguns pensamentos. É uma abordagem mais objetiva e costuma focar mais no presente, assim como a AC (sem desconsiderar fatos relevantes da história prévia do paciente) e, portanto, costuma ter duração mais rápida. Atualmente, a TCC é considerada padrão ouro para a grande maioria dos transtornos, porque se apresenta como a abordagem com maior evidência científica.

Psicologia Baseada em Evidências (PBE)

A Psicologia Baseada em Evidências não é uma abordagem teórica, mas é um movimento teórico que tem ganhado muita força mundialmente e se baseia em dois princípios clínicos muito importantes: eficácia da intervenção e utilidade clínica. A eficácia se refere às evidências concretas e causais entre uma intervenção e o resultado eficaz perante um transtorno específico. Ou seja, há evidências de que a melhora do paciente ocorreu especificamente pela intervenção aplicada, e não por outras fatores como uso de medicação (que pode ser importante em vários casos), passagem do tempo ou outros tratamentos. Já a utilidade clínica preza estabelecer a possibilidade de generalização do tratamento. Ou seja, a possibilidade de aplicar a mesma técnica/abordagem para populações e contextos diferentes, além da viabilidade entre custo-benefício.

Este é um movimento bastante aquecido e vem sofrendo críticas de outras abordagens, porém, não visa inviabilizar as demais teorias. No mundo ideal, a PBE visa um complexo sem diferenciações de abordagens teóricas e sim o entendimento e aplicação daquilo que funciona com evidências científicas para cada transtorno, por todos os profissionais da psicologia. O que isso significa? Que no futuro você procuraria por um psicólogo baseado em evidências e não por alguém da psicanálise ou da TCC. Nesse caso, o profissional teria conhecimento sobre as técnicas mais indicadas cientificamente para cada transtorno, ou os transtornos de preferência dele (porque, afinal de contas nem todo psicólogo atende qualquer demanda!).

Atualmente, as abordagens que têm se utilizado da PBE são a Terapia Cognitivo Comportamental e a Análise do Comportamento, uma vez que são as abordagens com o maior número de estudos científicos realizados com evidências concretas. É importante destacar que a PBE não visa invalidar outras abordagens, mas sim trabalhar com a melhor evidência disponível.

Então, qual abordagem escolher de acordo com a minha demanda?

A Associação Americana de Psicologia (APA) disponibiliza aqui (em inglês) uma lista de indicações de tratamentos e abordagens de acordo com sintoma ou diagnóstico. Esta lista de baseia na melhor evidência disponível até o momento de acordo com os estudos publicados.

A Persora disponibilizou pra você uma lista de acordo com os principais transtornos tratados por psicólogos e quais abordagens ou técnicas são mais indicadas de acordo com a APA.

TranstornoTratamento recomendado
Anorexia Nervosa (AN)Terapia Cognitivo Comportamental
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH (adultos)Terapia Cognitivo Comportamental
Compulsão AlimentarTerapia Cognitivo Comportamental
Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia de Ritmo Interpessoal e Social para TAB, Cuidados Sistemáticos para TAB
Transtorno de Personalidade BorderlineTerapia Comportamental Dialética (DBT)
Bulimia NervosaTerapia Cognitivo Comportamental
DepressãoTerapia Cognitivo Comportamental, Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Psicoterapia Interpessoal
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)Terapia Cognitivo Comportamental, Análise do Comportamento
InsôniaTerapia Cognitivo Comportamental
Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)Prevenção de Exposição e Resposta (geralmente desempenhado por terapeutas da TCC e Análise do Comportamento)
Transtorno de PânicoTerapia Cognitivo Comportamental
Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT)Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia de Exposição Prolongada, EMDR
EsquizofreniaTerapia Cognitivo Comportamental, Treinamento de Habilidades Sociais (geralmente desempenhada também pela Análise do Comportamento)
Ansiedade SocialTerapia Cognitivo Comportamental
Fobia Específica (agulha, altura, palhaço, animais, etc)Terapia de Exposição (TCC OU AC)
AutismoAnálise do Comportamento Aplicada (ABA)

É importante que você saiba que outros tratamentos psicológicos também podem ser eficazes no acompanhamento dos transtornos acima, porém são destacados os com melhor avaliação e rigor científico até o momento, de acordo com a APA.

Você deve ter percebido também que a Terapia Cognitivo Comportamental aparece como melhor recomendação para a maioria dos transtornos. Porém, para alguns casos, os últimos estudos datam de 2015, necessitando reavaliação da eficácia do tratamento para certificar que esta abordagem continua sendo a mais indicada. Mesmo assim, até o momento não há evidências de melhor tratamento nestes casos, o que justifica a continuidade da indicação.

E como eu posso encontrar um psicólogo?

Até pouco tempo atrás, encontrar um bom psicólogo poderia ser uma tarefa difícil. Geralmente, os profissionais eram indicados por outros profissionais da saúde ou pacientes que já conheciam o trabalho do psicólogo. Atualmente, a tecnologia tem nos ajudado bastante! Com a utilização das redes sociais, é possível identificar um pouco do trabalho do profissional por meio de blogs, páginas do Instagram e Facebook, etc. Nesses casos, é possível ter uma noção de como aquela pessoa trabalha e por vezes até saber qual a abordagem teórica ela segue.

Além disso, hoje podemos contar com diversas plataformas que conectam pacientes a profissionais da psicologia, como a Vittude, Eurekka, ZenKlub, Psicologia Viva, etc! Os atendimentos podem variar entre presencial e online, além da abordagem do terapeuta e demandas que atende.

Então, não tem mais desculpa pra não priorizar a sua saúde mental! Escolha a abordagem que mais se identifica e procure por um profissional de confiança. Pesquise sobre o profissional, mas não se preocupe em acertar de primeira: é comum não se identificar com a abordagem ou com a pessoa de cara, o vínculo terapêutico vem com o tempo!

Dicas importantes!

  1. Sempre se certifique de que o psicólogo escolhido tem registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP) da cidade em que ele atua. Se você não souber o número, entre no site do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e faça a busca pelo nome.
  2. Se o profissional que você escolheu estiver oferecendo um tratamento com características “milagrosas”, com resultados muito rápidos e algo que parece ser bom demais pra ser verdade: fuja para as colinas! Muito provavelmente isso não é psicologia.
  3. Cuidado com o apego à número de seguidores! Psicólogo não é necessariamente um criador de conteúdo. Se você encontrou um profissional nas redes sociais mas ele tem poucos seguidores, não quer dizer que não seja bom.
  4. Aproveite o conteúdo dos profissionais que se dedicam a publicar em redes sociais para se informar mais sobre a psicologia no geral e conhecer um pouco daquele profissional.

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Aldinele
Aldinele
10 meses atrás

Acabei de ler seu artigo e achei o blog muito interessante, tem muita informação que eu estava procurando. instalar